Entre algumas nuances, tu encostas a tua mão na minha. O
ponto inicial dessa vez vem de ti, e, ainda assim, a tua ação perde a força
antes de me atingir. O teu agir sobrepõe a minha pele, a minha superfície a
qual mais facilmente entrego, mas a tua não-ação chega muito mais intensa,
abrindo caminho em cada camada onde rasteja copiosamente, afim de adensar-se no
que encontra e ali decretar:
A falta é freqüência, é o elogio da ausência.
É isso que proclamas, sem língua; a tua latente falta, a
tua insuficiência que reboca as minhas verdades com concreto. Concretizas a mão
que não se estende e os dedos que não se entrelaçam ao mesmo tempo em que
amoleces qualquer coisa que ameace ganhar forma às tuas vistas. Rasgas papéis, destróis
esculturas e jardins que cresceram por ti, bem na minha frente. Fixas o ar do
descompromisso. Desfixas. Asfixias.
Tuas mãos estão no meu pescoço apenas pra me impedir de te
gritar, só porque fazes questão de patentear o meu silencio.
Que seja teu o meu silencio.
Que seja teu o repouso amargo da minha língua.
Seja tua e completamente tua a minha contenção, que me contenta em ali desaparecer, sem ser tua.