Sempre dói mais onde menos deveria
E em extensões, achar seu controle
Abarcar com os olhos o que os olhos não vêem
E por mesmo não ver, tornar a terra pouca
Fazer da pedra macia areia
Em que acolho, recolho, descanso os pés
E me digo forte
Não por sustentar grandes problemas
Mas por maquinar grandes artifícios
Para deixá-los de lado, e esconde-los
Por debaixo dessas gotas poucas
Sobre a mesa de madeira
Que não secam, ficam ali, estáticas
Perduram e me fitam
Me encaram me lembrando
Que para elas, justo à elas
Não consigo por panos sobre, nem ao redor
Conservo-as ali como quem precisa
De um rádio sintonizado num fim de tarde
Ou de um cão aconchegado no tapete
Com uma presença que mais parece ausência
De tão estável e duradoura e eterna e confortável
Por mais que as extremidades machuquem
Mais do que o que escondo por ser imenso e torno opaco
Porque reforço o traço só no que me é banal.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Papel manteiga
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