Te digo que tenho força o bastante para abrir essa maçaneta e sem pensar duas vezes por meu corpo por trás dessa porta por trás de onde ainda me protejo mas a força maior que faço é a de mantê-la fechada de manter-me aquecida e segura reduzida a esse pedaço de terra que agarrei e pintei com a cor de tudo o mais que lembra à essa cadeira à essa mochila à essa calça a esse céu a esse tudo em que não enxergue implícitos e assustadores os teus olhos marrons como que me induzindo a abrir essa porta e dizendo vem não vai doer vem toma banho nessas lembranças que deixei para ti que te alivia que te torna útil que te faz sentir viva vem e me olha e olha essas coisas que todos menos tu deixaram para trás mas não eu me recuso eu não sou tua jarra de água suscetível a um volume qualquer que queiras eu me abstenho até de olhar para essa porta de madeira em que as minhas mãos aportam porque ela é marrom e nela vejo a minha febre nessas tuas pupilas grandes e eu preciso fugir e olhar para algo mais azul e branco e cinza que seja mas deixar o marrom que me persegue eu tento eu acho eu bato a porta e tranco e engulo a chave e vou apressada para o parapeito da janela lá tenho paz lá tenho silencio lá olho para o azul e espero espero espero de novo de outro dou três passos para trás estou errada encurralada por duas enormes e persistentes manchas de cor na minha cabeça levo as pernas ao chão me acolho me invento em mim fecho os olhos cubro a tez e tento tento tento pensar em qualquer coisa que não seja em cores não consigo devolvo meus passos para as lajotas e estou finalmente ali meneando para fora e livre e quase e então eu pinto
Tudo
De
Vermelho.
Sim, pintou tudo de vermelho. Pôs fim a maravilhosa experiência da vida. Foi notavelmente covarde, pois não teve coragem de virar a maçaneta e olhar de frente a cor marrom, que talvez impusesse força/coragem/verdadeiro/determinado...se escondendo atrás da porta e buscando aquecimento e segurança(?), só achou frio e medo. A força do homem está no escolher. Se acertamos, ótimo! Se erramos, ainda podemos escolher outro caminho prá seguirmos em frente. Nada está posto como absoluto e o melhor de viver é sabermos que a relatividade nos espreita e nos acolherá de bom grado.
ResponderExcluirSim, borrou o chão da rua de carmim. Pôs fim ao infinito de côres do seu âmago e agora viverá na incerteza do outro lado e na possibilidade de viver num mundo acizentado ou nêgro. Que pena! Será uma infinita monotonia! Que desperdício!