terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sobre imobilidade

Escrito em 17/12/2012



O teu olhar fixo em qualquer objeto inanimado
O meu olhar fixo no teu corpo de aço
Que não oxida frente aos meus toques 

Por que viemos até aqui? Sempre foste assim
Seguras a tua xícara de café com o polegar
E te debruças sobre algo que eu não sei o nome

Quero estar através de ti, atravessar teus poros
Como esse pó de arroz que passas displicentemente no teu rosto
E que te faz parecer ainda mais imóvel

Teu olhar é morno, temperatura ambiente num sol das seis da manhã
Tuas mãos revertidas por uma pele fina
Me sorris amarelo quando alcanço teus lábios
Mas não estás aqui, nunca estiveste

Não sinto a tua alma e isso me dói
Tua presença parece ausência e isso me dói
Teu sexo é calculado, medido
Num copo que inventaste para que nada extravase de ti
Num corpo que não sedes por completo
Em nada sedes, na verdade
E tenho sede de ti que me alimenta com doses cavalares de nada

O que pensas, meu amor
Quanto te fodo com cuidado
Ou com selvageria?

No que te aportas, meu amor
Quando escrevo pra ti e murmuras que te agrado
Quando eu sei que não entro em ti um milímetro?

Que imagens formas por trás dos teus cabelos negros?
Pássaros sem cabeça, paredes com alma
Tu sobre a minha faca, sem cabeça, sem alma
Quem sabe o vermelho do teu sangue te faça reagir?

Escorre incessante, jorra, grita
E ainda assim continuas
Calada.

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