O teu olhar fixo em qualquer objeto inanimado
O meu olhar
fixo no teu corpo de aço
Que não
oxida frente aos meus toques
Por que
viemos até aqui? Sempre foste assim
Seguras a
tua xícara de café com o polegar
E te
debruças sobre algo que eu não sei o nome
Quero estar
através de ti, atravessar teus poros
Como esse pó
de arroz que passas displicentemente no teu rosto
E que te faz
parecer ainda mais imóvel
Teu olhar é
morno, temperatura ambiente num sol das seis da manhã
Tuas mãos
revertidas por uma pele finaMe sorris amarelo quando alcanço teus lábios
Mas não estás aqui, nunca estiveste
Não sinto a tua alma e isso me dói
Tua presença parece ausência e isso me dói
Teu sexo é calculado, medido
Num copo que inventaste para que nada extravase de ti
Num corpo que não sedes por completo
Em nada sedes, na verdade
E tenho sede de ti que me alimenta com doses cavalares de nada
O que pensas, meu amor
Quanto te fodo com cuidado
Ou com selvageria?
No que te aportas, meu amor
Quando escrevo pra ti e murmuras que te agrado
Quando eu sei que não entro em ti um milímetro?
Que imagens
formas por trás dos teus cabelos negros?
Pássaros sem
cabeça, paredes com almaTu sobre a minha faca, sem cabeça, sem alma
Quem sabe o vermelho do teu sangue te faça reagir?
Escorre incessante, jorra, grita
E ainda assim continuas
Calada.
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