Sabe, eu nunca quis fazer essa analogia, sempre me soava muito infantil, muito grandiosa (e as minúcias sempre me foram mais bem vindas que as extremidades - até agora), mas eu não consigo pensar em outra figura que conte mais sobre a tua pessoa.
Sol. Tu és um enorme e brilhante sol invadindo a minha janela e me obrigando a abrir os olhos, as vezes lento, as vezes bruto, e sempre aqui, me tirando dessas cobertas mofadas, tentando jogar alguma espécie de energia sobre o meu corpo gélido.
Tão claro o meu incômodo, não vês? Tu colocas sentimentos confortáveis na minha mão pra depois tirá-los, e ouso dizer que sempre com o intento de me fazer entender qualquer coisa sobre o teu mundo, sobre como as cartas funcionam na vida que dizes real. Sempre foste real. Sempre pulsaste no meu rosto em cores vivas, com a tua grandiosidade despretensiosa. Sempre me tiraste dos meus domínios. Céus, eu nem sequer consigo mais me ater somente aos detalhes, unicamente á beleza dos cantos que sempre me preencheu, porque tu me apresentaste uma beleza muito maior, que antes de ti eu não acreditava um mínimo. Não são só pequenas conversas, olhares, pulsar do teu corpo no meu, tua boca teu dente teu nariz encostado milimetricamente em mim. Não é só o vento no rosto de madrugada, as mão que se tocam tão ternas, a lua que uma noite sorriu e me disseste - foi pra ti, eu pedi. Não. Não são só veias incutidas em pequenos esconderijos. É maior que tudo isso, é um sentimento tão grandioso, que abrange tanto de mim, é um amor tão absurdo, um amor que eu poderia comparar ao mar, ao céu, as estrelas e a tudo de mais clichê e grandioso que eu sempre odiei e sempre achei uma grande mentira, uma falácia descarada. Um amor que eu poderia comparar ao sol. O sol tal como és, que me faz abrir as pálpebras dos meu quarto, e as cortinas dos meus olhos.
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