Leite para o que seria doce e leve
A partir dali
Olhos desonestos
Numa desonestidade consentida
E financiada
E tudo bem
Céus claros e abraços confortáveis
Suor para o que não evitava o corpo
Numa convulsão, contraia-se
E nos levava a qualquer canto
Tatear mãos, pele, boca
E tudo o mais
Juntar corpos, até que não houvesse
Mais nenhum espaço
Para juntar
Porque estava tudo
Perfeitamente
Encaixado
Lágrimas para o que vem sempre e sempre vem depois
De todo leite e suor
De todo o muito gasto
E intensamente desejado
Lágrimas para diluir o leite
Lágrimas para disfarçar o suor
Para que assim torne-se tudo
Lágrima
Que chega
Enche os olhos
Cai, em plenitude
E finalmente
Seca.
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