quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Clichê

Contavam passos que davam pela própria casa, tão meninas. Tão meninas emaranhavam-se em devaneios enquanto o corpo entranhava-se ao sofá. Tão meninas selecionavam músicas que soassem como uma vista deixada para trás, nunca tirada da mente. Tão meninas escolhiam cadernos, roupas, pensamentos que sejam seus, muito seus apesar de outras quinhentas, meninas também. Tão meninas tocavam-se ou quando não o faziam esperavam pelo toque. Macio como o seu, macio como o dele. Deles. Os muitos que a elas pertencem porque não passam de seu invento. Tão meninas esperavam sempre, expostas ou caladas dentro de si. Tão meninas falhavam, pisavam em falso, escolhiam o amargo e não o doce, por um quase prazer inexplicável. Por serem meninas. Por chorarem à noite sob um céu cintilante, por rirem de macacos, por juntarem-se em confraria para aliviar-se. Tão sinceramente meninas.

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