quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Encomenda

O chão era mais forte que eu. Cada vez que punha meus pés no asfalto ou na lajota ou no ladrilho, rezava para que esses me impulsionassem de volta, me sustentassem mais uma vez, mais uma vez suportassem o peso invisível e morto que eu rejeitava, jogava para frente, para os lados, até que ressoassem aos meus ouvidos e apenas aos meus. Essa dor é só minha, guardo-a entre meus dedos, nas solas dos meus pés, enquanto deixo-a impregnar os meus sapatos, mantê-los presos no solo pobre das coisas que desprevenido e quase inconsciente endureço. Perguntam-me se é um estado que eu gosto. Não é, mas é condicionado, é confortável. Estou num buraco que cavaram aos moldes de mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário