segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ele dizia que parecia uma despedida

Talvez isso aqui seja uma despedida. Talvez seja neste ponto que eu bato meus pés sujos de areia no nosso tapete roto e saio porta afora, de costas viradas, sem nenhum prenuncio de arquear-me na tua direção. Assim te deixo livre, com as mãos livres, deixo teu olho embaçar minha imagem, e faço com que o meu não enxergue mais a tua. Procuro um ponto fixo à minha frente e acho, um ponto fixo que me reforça e que me carrega como um pai. O mar, talvez, o ar. E dali penso em ti sereno, penso em ti risonho, penso em ti trocando sandália, trocando retrato trocando expressão trocando tapete. Mudando. Pondo o novo no lugar, e Deus, quão normal pode ser? Há o agridoce sabor de quem já tocou a tua pele nos meus dedos, de quem os manteve assim tão intensos sobre uma parte qualquer do teu corpo que se adensou à ele. E saiu, com a naturalidade de quem vive arranhando calcanhares sem motivo aparente posto que o sentir doer é o tempo di(vagando), modificando, machucando, rasgando até, mas curando, lentamente, cicatrizando. E nos teus dedos, resquícios meus povoam as pontas, que anseiam por tocar em tantas outras, misturar o que é meu e teu com o que é teu e dela formando em ti uma fina pele que te define entre lembranças de cigarros garotas filmes toques falas e me lembro de uma foi bom passou foi bonito e é, na memória que guarda as pontas dos meus dedos e os dela também, por onde quer que tenham passeado nesses últimos anos. Que bom que ela foi, que bom que foste, assim a memória é mais afeita ao que mantive no passado e abraço ao lembrar.

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