Talvez isso aqui seja uma despedida. Talvez seja neste ponto que eu bato meus pés sujos de areia no nosso tapete roto e saio porta afora, de costas viradas, sem nenhum prenuncio de arquear-me na tua direção. Assim te deixo livre, com as mãos livres, deixo teu olho embaçar minha imagem, e faço com que o meu não enxergue mais a tua. Procuro um ponto fixo à minha frente e acho, um ponto fixo que me reforça e que me carrega como um pai. O mar, talvez, o ar. E dali penso em ti sereno, penso em ti risonho, penso em ti trocando sandália, trocando retrato trocando expressão trocando tapete. Mudando. Pondo o novo no lugar, e Deus, quão normal pode ser? Há o agridoce sabor de quem já tocou a tua pele nos meus dedos, de quem os manteve assim tão intensos sobre uma parte qualquer do teu corpo que se adensou à ele. E saiu, com a naturalidade de quem vive arranhando calcanhares sem motivo aparente posto que o sentir doer é o tempo di(vagando), modificando, machucando, rasgando até, mas curando, lentamente, cicatrizando. E nos teus dedos, resquícios meus povoam as pontas, que anseiam por tocar em tantas outras, misturar o que é meu e teu com o que é teu e dela formando em ti uma fina pele que te define entre lembranças de cigarros garotas filmes toques falas e me lembro de uma foi bom passou foi bonito e é, na memória que guarda as pontas dos meus dedos e os dela também, por onde quer que tenham passeado nesses últimos anos. Que bom que ela foi, que bom que foste, assim a memória é mais afeita ao que mantive no passado e abraço ao lembrar.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Ele dizia que parecia uma despedida
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